sábado, 5 de junho de 2010

Comics vs. Mangás: FIGHT!


Certa vez, em uma "convenção" (as aspas indicam ironia, certo?) de quadrinhos aqui em São Luís, na faculdade FAMA, um cara me perguntou se eu lia comics ou mangá. Respondi que lia coisa boa. Há uma velha discussão entre leitores sobre qual dos dois estilos é o melhor. E, na minha humilde opinião, é totalmente inútil e estúpida. Do lado dos fãs de quadrinhos americanos, os argumentos são de que o traço e as histórias dos mangás são infantilizadas e de que as tramas não têm pé nem cabeça; já os seguidores dos quadrinhos japoneses dizem que as revistas americanas seguem quase sempre a mesma fórmula de super-heróis, com histórias repetitivas e sem profundidade. Ou seja, não passam de pessoas preconceituosas que só enxergam as qualidades daquilo que gostam e os defeitos daquilo que não gostam.

Esse digníssimos formadores de opinião (e provavelmente ótimas companhias em um mesa de bar) têm de entender que cada estilo tem sua proposta. Quadrinhos americanos só falam de super-heróis? Negativo, senhores! Existem várias HQs dos EUA que são pouco ou nada conhecidas no Brasil. Para ficar em poucos exemplos, cito-lhes Fracasso de Público, Bone e Balas Perdidas; e ainda há aquelas que atingiram o mainstream, como Transmetropolitan e Preacher. Infelizmente, por um golpe do destino, o grosso do material que chega até nossas mãos desde os anos 60 vem do eixo Marvel-DC. Graças a isso, ainda há por aqui a mentalidade de que história em quadrinjps é coisa de criança. Pra vocês terem um idéia, certa vez (re)lia V de Vingança e uma tia me disse para largar aquilo, afinal eu não era criança e deveria estudar a Biologia e a Matemática. Uma pena, afinal quem já leu esta obra sabe o quanto ela é perfeita e não deve nada a qualquer clássico da literatura (me perdoem se estiver exagerando) ou à coleção de Biologia do Marczwski e Vélez (eu gosto, e dái?).

O fato é que os colantes estão incrustados na indústria americana desde os anos 30, e acaba sendo difícil não fazer essa associação. Uma história em quadrinhos, como qualquer forma de arte, reflete a cultura de onde foi criada. Personagens como Superman e Capitão América foram concebidos em plena II Guerra Mundial e representavam a força e os ideais americanos, assim como quadrinhos de monstros e crime e os filmes de alienígenas dos anos 50 retratavam o período de paranóia e perseguição vivido nos Estados Unidos naquela época. Porém, há uns dez anos, mais ou menos, um leva de escritores vem trazendo novas formas de abordar pessoas com superpoderes, assim como Alan Moore, Neil Gaiman e Frank Miller fizeram nos anos 80. Mark Millar, de Procurado e Kick-Ass, são exemplos do que estou falando.

Quanto aos mangás, devemos lembrar que estes são divididos em vários tipos, destinados a determinadas faixas etárias e sexo. Há mangás para garotos (Naruto) e para garotas (Sailor Moon), para tarados (os hentai) e para leitores mais adultos (Lobo Solitário e Akira). Quanto aos recursos de linguagem, como já falei, a arte reflete um povo. Os olhos grandes, por exemplo, são um recurso utilizado para expressar tanto a personalidade de um personagem quanto para realçar suas emoções. É a característica que mais salta aos olhos desse tipo de HQ, e foi introduzida por Osamu Tesuka baseada nas máscaras de teatro japonês kabuki. Além disso, o mangá possui várias maneiras de representar sentimentos, como a famosa gota gigante de suor na testa do indivíduo. Para quem não é acostumando, realmente essas particularidades acabam criando opiniões divergentes, como tudo que é novo.

Ambos os estilos possuem tanto material bom quanto porcaria sendo publicados. É triste que alguns leitores fiquem bitolados a rótulos, apesar de ser um grande hipocrisia dizer que eles não existem. Na verdade, este post era para ser uma análise de Lobo Solitário, um mangá que é das melhores coisas que já li do alto de meu quarto de século de vida, mas acabou seguindo outro rumo. E olha que nem falei sobre os quadrinhos da Europa, onde esse mídia é considerada arte de verdade, principalmente na França e Bélgica; nem de gente como Gabriel Bá, Fábio Moon, Rafael Grampá, Ivan Reis e Mike Deodato, brasileiros que fazem bonito no mercado americano. Nio fim das contas, eu fico com as boas histórias, não importando se são dos Estados Unidos, do Japão, da Europa ou do carinha que mora logo ali.

Mas, lá no fundo e atormentando minhas noites de sono, fica a pergunta que não quer calar: quem ganha, Superman ou Goku?

10 reclamações:

  1. É óbvio que o Goku vence! Já te provei isso com vários argumentos técnicos.

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  2. Dúvida cruel...
    O Super-Homem adquire força através do sol (não sei se é algo tão simples assim) e o Goku vira um macaco gigante, quando lua cheia... então, depende muito do dia e da hora que eles lutariam! ¬¬

    Essa TIA, hein? ;)

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  3. que goku e que superman que nada, quem ganha é o batman \o/

    posso citar muitos quadrinhos melhores do que livros, mas não considero uma arte comparável a outra. melhor deixar cada um em seu respectivo campo.

    cresci lendo comics clássico, super-hérois mesmo (como vc, meu caro). mas hoje, assumo que tenho um certo desprezo pelo modelo. comparo com hollywood: a maior parte das coisas segue modelos pré-estabelecidos de consumo em massa, mas alguma coisa se salva. o supra-sumo é o mercado underground.

    o mercado europeu são outros quinhentos. autamente tradicional e ainda assim tão legal *.*

    v de vingança é uma obra que se tornou envelhecida, o que não tira nem um pouco o brilho da obra.

    lobo solitário é coisa linda de deus! morria de preconceitos com o gênero mangá até ver isso!

    transmetropolitan é ruim. tu gosta só pq o protagonista é careca que nem tu. sim, não tem nada no texto sobre isso, mas comentei isso só p te deixar puto =) =D

    e o mercado brasileiro renderia um bom post do vale. pesquisa sobre o qu4rto mundo, 10 paezinhos, laerte, rafael sica e grampá e fala aí p gente!

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  4. bla bla bla luis, manga fede!!! quem ganha é o batman to c ricardo nessa. leva uma kriptonita no bolso e corta o rabo do goku, vence os dois sem eles nem preceberem, mas sabe quem tambem ganharia? o mario!!!( to jogando video game ai lembrei)


    obs: qto ao manga fede , é sacanagem eu gosto tb, so queria encher o saco do careca!( credo como isso ficou pornografico ... ou não) :)

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  5. Gente, o Goku não tem mais rabo. O Kami-sama cortou ele definitivamente. E PORRA! Ele é o homem mais forte do universo. É só ele teletransportar o Superman pra um planeta que não tenha luz do sol e pronto. E outra, ele tem a Genkidama e um monte de outras técnicas superiores às do Superman. Já era, Goku é melhor.

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  6. E o Batman nem chegaria perto do Goku. HAHA!

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  7. Grant Morrison e o desenho da Liga transformaram o Batman em Deus, aí os caras acham que ele resolve tudo! =D

    Ricardo e Eduardo, fodam-se!

    Caio, há séculos o Goku não precisa se transformar em macaco gigante pra ser invencível.

    E realmente, Mauro, esse teu argumento é insuperável... Apesar de tantas mesas redondas (de bar), ainda insisto nisso... =)

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  8. E não é macaco gigante! É oozaru.

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  9. o batman resolve tudo pow... eu tenho certeza que ele acharia uma soluçao, tipo uma bomba anti saia jeans!!!

    :P

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  10. Eita, tô devendo visita faz um tempão, hein? =)

    O Superman ganha do Goku. O Batman SEMPRE ganha do Superman. Logo...

    Falando sério, agora: eu já me dispus a ler alguns mangás celebrados em sites e por jovens que respeito, como meu sobrinho Gabriel, pouco mais novo que você. Tipo Death Note e Battle Royale, saca? Enfim, eu morri de tédio, mas, pelo menos, já posso dizer que não gosto após haver experimentado. Talvez um Lobo Solitário me fizesse mudar de opinião, mas, até o momento, estou totalmente imune aos "encantos" da estética e da narrativa orientais.

    Quantos aos comics, as críticas procedem: muito do que se lê é reciclagem da reciclagem - e nem sempre reciclam as melhores coisas. Veja "A Batalha Pelo Capuz", por exemplo: uma patética tentativa de Tony Daniel de fazer seu próprio "Silêncio", a esquecível "obra" de Jeph Loeb à frente do Batman que vendeu feito pão quentinho, mas que jamais deveria servir de referência para qualquer coisa. Felizmente, muito do que se lê atualmente faz valer o investimento.

    Já sobre os quadrinhos adultos, como disse lá no Catapop, a coisa tá ficando cada vez mais bonita. Tô gostando de acompanhar e pode não estar muito longe o dia em que lerei mais Vertigo do que DC ou Marvel. Sugiro aos iniciantes altas doses de Ex Machina e Y - O Último Homem.

    E sobre quadrinho ser coisa de criança, as pessoas a) fingem que são burras e não vêem que, assim como existe filme pra criança e filme pra adulto, existe HQ pra criança e HQ pra adulto, ou b) são burras mesmo e é melhor mudar de assunto.

    Abração!

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Por favor, sem palavrões! Minha mãe lê este blog.